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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Como seria se você vivesse em uma ecovila?

No ano de 2001, em meio às montanhas próximas da Serra da Mantiqueira, o engenheiro agrônomo Edson Hiroshi Seó procura um terreno onde possa realizar seu sonho. A escolha é criteriosa, bem elaborada com base na longa experiência do ecólogo: o local não deverá conter histórico de cultivos agrícolas, pois o solo estaria contaminado com agrotóxicos. Tão pouco deverá ser uma mata fechada que necessitará ser derrubada para as futuras construções. Deverá ser um local de elevada altitude para que a poluição hídrica e atmosférica da vizinhança não prejudique os futuros moradores. 
Uma ecovila é como um loteamento residencial no qual seus habitantes adotam práticas sustentáveis como captação de água de chuva, saneamento ecológico, utilização de madeira certificada e cultivo de hortaliças orgânicas. A Ecovila Clareando está localizada no município de Piracaia em Área de Preservação Ambiental (APA) e possui 97 lotes que variam de 1000 a 1400 m2, sendo que 67 já estão vendidos. Para o casal Sandra e Hiroshi, idealizadores da ecovila, a concretização deste espaço não se realizou apenas com os seus esforços, mas sim devido ao apoio de toda comunidade. Segundo as palavras de Hiroshi, “a ecovila era apenas um sonho, mas sonhamos juntos e hoje é realidade”. 
Atualmente a Ecovila Clareando possui 19 casas construídas, das quais 9 famílias já fixaram suas residências e conta com 3 projetos aprovados em fase de início de obras. São médicos, jornalistas, advogados, engenheiros, professores, pessoas de diferentes origens, habilidades e conhecimentos que fizeram desta comunidade sua família e transformaram suas vidas. Os proprietários aos poucos estão se aproximando, cada um de forma diferente, até se deslocarem definitivamente para a ecovila. Alguns se mudaram para o município de Piracaia, transferindo seu emprego para esta região e, enquanto acompanham suas obras, alugam provisoriamente uma casa na cidade. Outros continuam trabalhando em suas cidades de origem, como São Paulo e Campinas, e visitando a ecovila semanalmente. 
A exemplo dos jornalistas freelancers Giuliana e Edilson Alguns, há os que moram e trabalham dentro da ecovila, atuando como autônomos. Para construir sua casa, o casal utilizou diversas técnicas de bioconstrução, como o tijolo de adobe, bloco de terra comprimida (BTC), taipa de mão e cordwood, uma técnica norte-americana baseada no uso da madeira que restou da estruturação da casa. 
Como se não fosse o bastante para uma casa ecovilense, foi instalado um “banheiro seco” na suíte do casal. A proposta do casal foi desenvolver uma moradia ecológica experimental, contendo diferentes técnicas de construção para demonstrar na prática quais as vantagens e desvantagens de cada uma delas. Por aparentar simples, alguns leigos que visitam a casa questionam se a finalidade dela não é apenas para o público de baixa renda. Giuliana afirma que “simplicidade não é sinônimo de pobreza, e sim uma questão de escolha”. Até mesmo porque, dependendo do método de construção, o investimento em mão de obra poderá encarecer o projeto. 

Reflexões sobre o conceito de sustentabilidade 

As grandes cidades estão cada vez mais insustentáveis. Mas afinal, o que é ser sustentável? O conceito “sustentabilidade”, muito utilizado hoje em dia pelas empresas, tem um significado importante, mas pouco compreendido e mais difícil ainda de ser praticado. 
Sustentabilidade deriva do verbo sustentar, do ato de dar sustento. Por exemplo, supondo que eu vá a uma lanchonete todos os dias e me alimente apenas de cheeseburger, batata fritas e cachorro quente. Como esses alimentos são agradáveis ao meu paladar, meu estômago ficará cheio e satisfeito, porém, meu organismo vai continuar sem os nutrientes essenciais. Vamos chamar essas comidas de “alimentos ocos”, porque são alimentos de alto teor de açúcares, carboidratos e gorduras, nos deixam supostamente satisfeitos, mas não garantem vitaminais e sais minerais fundamentais para a saúde. Se eu continuar a ingerir somente estes alimentos, chegará ao momento em que estarei obeso e desnutrido (parece paradoxal, mas muitos casos de obesidade são acompanhados da desnutrição), além de comprometer todo meu sistema imunológico. Dessa forma, os alimentos que eu ingeri não me sustentaram ou não me deram sustância e certamente estarei com diversos problemas de saúde. Portanto, meu modo de vida foi insustentável. 
De maneira análoga, a cidade ao longo dos séculos, esteve crescendo sem se preocupar com a qualidade do meio ambiente. A qualidade de seus “alimentos” (solo, água e do ar) que garantem a viabilidade e manutenção da vida urbana está comprometida devido ao uso indiscriminado e contínuo dos recursos naturais e ao descarte irresponsável de resíduos tóxicos e poluentes. Se continuarmos a manter esse modo de crescimento urbano certamente chegaremos ao colapso. Nesse contexto, o movimento das ecovilas resulta da necessidade de uma nova consciência ambiental e está se expandindo cada vez mais, atraindo adeptos desejosos de mudar a si mesmos para garantir a vida e exuberância da natureza. 


Para maiores informações, vide http://www.clareando.com.br.

sábado, 10 de agosto de 2013

Em vez de consumo exacerbado, Dia dos Pais pode ter mais momentos prazerosos

Há quem diga que se trata de mais uma data para estimular o consumo. Mas você pode ir na contramão e talvez ter mais felicidade ao celebrar o Dia dos Pais sem comprar presentes, proporcionando momentos prazerosos e mais sustentáveis.Os parques ecológicos, por exemplo, são boas opções para fazer um piquenique com seu pai ou toda a família - leve frutas, sucos, sanduíches naturais e água na squeeze (garrafinha reutilizável) para não ter que comprar água engarrafada, pois esse produto pode ter implicações nocivas à saúde das pessoas.Os parques também são locais para praticar esporte, como corridas, caminhadas e passeio ciclísticos. Muitos desses espaços permitem o aluguel de bicicletas a preços em conta – entre R$ 5 e 15, por passeio ou hora.
Se o tempo estiver adequado, escolha as praias neste domingo (com a qualidade da água própria para o banho). Juntos, façam caminhadas ou corridas, ou apostem em mergulhos em águas rasas cujos aluguéis dos equipamentos (os valores do aluguel variam muito de acordo com a região) sejam mais em conta.Não dá para ir ao parque nem à praia? Fiquem em casa ou vão ao cinema, vejam filmes juntos ou mesmo um jogo de futebol. Vocês podem rever álbuns familiares e fazer coisas trivais que o dinheiro não compra.
E se optar por não sair de casa, prepare um almoço saudável para ele e ajude-o manter a forma ou melhorar a saúde. Na Cozinha EcoD há uma lista de receitas saudáveis, saborosas e fáceis de fazer. Desse modo você estará longe das filas dos restaurantes cheios, algo típico de datas comemorativas.Se você pode arcar com os custos, pode dar ao seu pai e a você um momento inesquecível ao aderir aos esportes mais radicais, pular de para-quedas ou de bungee jumping ou fazer uma trilha. O importante é aproveitar a presença dele e ter um dia juntos. 

Fonte:http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2013/agosto/mais-momento-e-menos-presentes-para-o-seu-pai?tag=consumo_consciente#ixzz2bbtkPHJg

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Carne orgânica: novas estratégias no mercado global, após a crise econômica

Dentre os alimentos orgânicos, a queda no consumo atingiu particularmente a carne orgânica na União Europeia. O mercado britânico foi o mais seriamente afetado. A contração no consumo de carne bovina afetou especialmente os cortes nobres (filé mignon, contrafilé, filé de costela, alcatra, coxão mole, coxão duro, baby beef, lagarto), sendo que algumas empresas varejistas britânicas chegaram a retirar o produto de suas prateleiras. O padrão de consumo em 2009 foi comprar alimentos orgânicos com menos freqüência e gastar menos em cada ocasião. Para alguns consumidores isto significou a escolha de cortes mais baratos de carne orgânica ou de alternativas como carnes enlatadas e congeladas.
Não obstante, os produtos orgânicos continuam sendo demandados. Nos EUA, as vendas de produtos orgânicos aumentaram 5,3% em 2009, chegando a US$ 26,6 bilhões de dólares, dos quais US$ 24,8 bilhões referentes aos alimentos orgânicos, com o restante US$ 1,8 bilhão sendo vendas de produtos orgânicos não-alimentícios. Em contrapartida, o total das vendas de alimentos em geral nos EUA cresceu apenas 1,6% em 2009.
As estatísticas do primeiro semestre de 2010 indicam que as taxas de declínio no consumo reduziram significativamente sua velocidade de decréscimo em todas as categorias de produtos orgânicos. As vendas de produtos orgânicos também mostram melhora, com uma menor redução (-11,5% em relação à média de 2009, de -13,8%). As vendas de carnes de boi e frango orgânicas, entretanto, têm mostrado o menor declínio entre todos os outros produtos. Apesar disso, as vendas de alimentos orgânicos ainda são três vezes maiores que em 1999 e mais de 50% maiores do que há cinco anos atrás.
A carne vermelha segue entre as categorias mais populares de alimentos orgânicos com 6% de participação no total de vendas. E os produtos orgânicos continuam atraindo compradores de todo o espectro social. Os analistas de mercado predizem uma expansão modesta do mercado de produtos orgânicos em 2010, entre 2% a 5%. Assim, as expectativas para o futuro são de crescimento, embora a taxas menores que em anos anteriores.
Mas a crise econômica provocou outros efeitos além da redução no poder de compra dos consumidores e do declínio nos níveis de investimento, que foi o aumento nas expectativas dos consumidores em relação aos produtos orgânicos, e que afeta o crescimento do mercado. A crise fez com que os consumidores começassem a pensar mais detidamente sobre as razões pelas quais eles pagam um prêmio de preço pelos produtos orgânicos, e sofisticaram suas exigências. Agora estão exigindo mais dos produtos orgânicos, e olhando com maior importância para as questões éticas, a rastreabilidade, a pegada de carbono, a promoção da biodiversidade e a responsabilidade social das instituições.
Os produtores e varejistas de alimentos orgânicos precisam responder a essas expectativas do consumidor para se manterem no mercado e aumentarem suas vendas. Muitas empresas de alimentos orgânicos já estão reconhecendo essa mudança de comportamento do consumidor e adotando estratégias que os analistas de mercado têm chamado de Organic Plus Strategies (estratégias além do orgânico), isto é, comercializando seus produtos orgânicos com base em práticas de negócios assentadas em valores sustentáveis.
Essa mudança de comportamento está conduzindo a certa convergência entre setores da cadeia, com muitos novos produtos orgânicos contendo ingredientes de comércio justo, com aumento no número de companhias carbono-neutras e pela incorporação de valores sustentáveis nas diretrizes e nos padrões de qualidade das agências de certificação orgânicas. No Brasil, entre os principais produtores de carne bovina orgânica, a Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) assume uma posição de vanguarda nesse sentido, ao ampliar sua visão de produção de carne orgânica para incluir questões de sustentabilidade, inclusive avançando nesses procedimentos em suas práticas produtivas.
Para tanto, adotou um protocolo interno de processos produtivos e de responsabilidade socioambiental, que regulamenta as atividades da associação e define os princípios de envolvimento, implantação e monitoramento do comprometimento dos seus associados em atender as diretrizes gerais estabelecidas no protocolo. Além das exigências usuais da produção orgânica previstas na legislação brasileira e pelas agências de certificação orgânica, o protocolo inclui um diagnóstico socioambiental das propriedades rurais, com objetivo de criar uma base de dados para avaliar os ganhos sociais e ambientais de longo prazo.
Para realização dos diagnósticos a ABPO estabeleceu parceria com uma organização não-governamental de produtores rurais, a Aliança da Terra, que utiliza indicadores de sustentabilidade para determinar o desempenho socioambiental de cada propriedade. Além disso, diversas orientações técnicas específicas devem ser seguidas, como as recomendações da Embrapa Pantanal quanto ao manejo das pastagens, na preservação de áreas de capões e cordilheiras e na conservação dos recursos hídricos.
Finalmente, os compromissos assumidos no protocolo são monitorados por um programa de auditoria interna da própria associação. Além da atuação pró-ativa da ABPO, que é garantia que seus produtores vão "além do orgânico", a associação tem a vantagem de produzir em um ecossistema com aptidão natural para a produção de bovinos de corte orgânicos, o Pantanal, cujo sistema de produção de gado de corte é desenvolvido com características que o aproximam do sistema de produção orgânico.
Em conclusão, o mercado global para alimentos orgânicos está se recuperando, e a expectativa é que as taxas de crescimento desses produtos voltem a aumentar em 2011, principalmente se as condições econômicas melhorarem. A crise econômica e as mudanças no comportamento do consumidor afetaram as vendas globais de alimentos orgânicos, mas os produtores orgânicos – inclusive no Brasil – estão respondendo adequadamente a essas mudanças, incorporando valores sustentáveis aos seus produtos, capazes de satisfazer as crescentes exigências dos consumidores.


AUTORIA

André Steffens Moraes
Doutor em Economia pela UFPE
Pesquisador da Embrapa Pantanal na área de socioeconomia
E-mail: andre@cpap.embrapa.br

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Algodão Orgânico


O algodão orgânico é, em essência, o algodão a partir de plantas que não tenham sido geneticamente modificados e que também foram cultivados sem o uso de produtos químicos como pesticidas e fertilizantes. Esses produtos são certificados, a fim de demonstrar o seu crescimento não-sintéticos e de produção. O crescimento e a produção de algodão orgânico visam também à cumplicidade natural dos ciclos biológicos, assim como a biodiversidade em geral. Além disso, a plantação de algodão deve obedecer a determinados critérios, a fim de atender às exigências e especificações para ser considerado orgânico.
Na maioria dos casos que cumpram os requisitos para ser considerada "orgânica" inclui a regulação das práticas permitidas e número crescente de atividades, tais como controle de pragas, manejo de culturas real, o crescimento e fertilização das culturas, bem como quais são as medidas para proteger as culturas e como eles crescem. O algodão orgânico é cultivado em mais de 24 países no mundo inteiro e, a partir de 2007, a produção mundial de algodão orgânico foi se expandindo a uma taxa incrível de 50% ao ano ou mais.
Em termos de cultivo, a área cultivada total de algodão no globo terrestre representa apenas cerca de 2,5%, apesar do fato de que a cultura de algodão também representa o uso global de cerca de 16% de todos os inseticidas - uma porcentagem significativamente maior do que qualquer outra grande cultura global. A cultura e o cultivo de algodão orgânico não têm efeitos colaterais e as conseqüências ambientais devido ao uso crescente de produtos químicos, como pesticidas e inseticidas no processo de cultivo tradicional. Estes incluem a poluição do ar, tanto a água de superfície e as reservas de água local e áreas de drenagem. Além disso, após o cultivo, resíduos químicos podem causar irritação na pele dos consumidores eventuais e potencialmente causar reações potencialmente fatais.
Como resultado do uso crescente de pesticidas e produtos químicos ao longo dos anos é fácil ver que os produtores de algodão que mudaram para o orgânico, baseados em métodos de colheita biológicos não podem apenas esperar para ver e oferecer um produto muito mais limpo para os seus clientes também podem estar convencido de que eles estão beneficiando a Terra e seus ecossistemas, abstendo-se de meios convencionais de crescimento.
Isso ajuda, beneficiando tanto águas superficiais e subterrâneas, com a desistência da utilização de substâncias químicas que significa que haverá muito menos poluentes e contaminantes de drenagem após a chuva (que de outra forma teria lavado os produtos químicos do solo armazenando na água e lagos, etc), também é um risco muito menor do que afetam os ecossistemas de insetos e proporcionar um melhor controle da doença natural, contribuindo para o equilíbrio de controlar essas facetas vitais e deixá-los para o ecossistema natural em si em vez de ser manipulado quimicamente.


Tradução e Pesquisa: Mundo Orgânico

sábado, 16 de janeiro de 2010

EM - Microorganismos Eficazes

Leveduras
O que são?

EM (EM-4 ou EM-5) ou microrganismos eficazes são um conjunto de microrganismos que vivem no solo naturalmente fértil. Nele coexistem mais de 10 gêneros e 80 espécies de microrganismos chamados de eficazes pois agem no solo, fazendo com que a sua capacidade natural tenha plena ação.
Pode-se dizer que o EM é constituído basicamente por quatro grupos de microrganismos que são:
- Leveduras: sintetizam substâncias antimicrobianas e outras substâncias necessárias ao crescimento da planta, a partir de aminoácidos e açúcares secretados pela bactéria fotossintética, pela matéria orgânica e pelas raízes das plantas. As substâncias bioativas, tais como hormônios e enzimas produzidas pelas leveduras, provocam atividade celular e divisão de raízes.
- Actinomicetos: controlam fungos e bactérias patogênicas e também conferem às plantas maior resistência aos mesmos, através do contato com patógenos enfraquecidos.
- Bactérias produtoras de ácido lático: produzem ácido de açúcares e de outros carboidratos desenvolvidos pela bactéria fotossintética e pela levedura. A bactéria do ácido lático é um forte composto esterilizante que elimina microrganismos nocivos, melhora a decomposição da matéria orgânica e ainda promove a fermentação e a decomposição de materiais tais como lignina e celulose. Ela também tem a capacidade de eliminar microrganismos que induzem a doenças, como o Fusarium, que se desenvolve em colheitas contínuas.
- Bactérias fotossintetizantes: ou fototrópica são um grupo de micróbios independentes e autônomos. Essas bactérias sintetizam substâncias úteis da secreção de raízes, matéria orgânica e/ou gases nocivos (hidrogênio sulfurado), usando a luz do sol e o calor do solo como fontes de energia. As substâncias úteis desenvolvidas por esses micróbios incluem aminoácidos, ácido nucléicos, substâncias bioativas e açúcares, que impulsionam o crescimento da planta.

Porque usar?

Na natureza, nos solos intocados pelo homem, observasse uma interação natural através da reciclagem de matéria orgânica pelos microrganismos do solo aumentado assim, entre outros fatores, a fertilidade do mesmo.
Já em solos cultivados pelo homem, como o tempo e o mau uso, a degradação é eminente, levando o solo ao esgotamento e ao desequilíbrio da flora microbiana do mesmo. Esse desequilíbrio da flora microbiana favorece o aumente predominante dos microrganismos degenerativos, que produzem no seu metabolismo primário amônia, sulfeto de hidrogênio, mercaptana, entre outros, e que, por estarem em desequilibrio, são desfavoráveis ao desenvolvimento do vegetal, favorecendo o aparecimento de pragas e doenças. A matéria orgânica contida no solo é então decomposta pelos microrganismos degenerativos gerando gases e calor, poluindo ambiente, gerando compostos inorgânicos e contribuindo para a compactação do solo.
Com a introdução de EM no solo, que são microrganismos regenerativos, que produzem substâncias orgânicas úteis às plantas como enzimas, aminoácidos, ácidos nucléicos, etc …, e no seu metabolismo secundário podem produzir hormônios e vitaminas, ocorre uma melhora nas propriedade físicas, químicas e biológicas. As substâncias liberadas pelos microrganismos ainda exercem, direta ou indiretamente, influência positiva no crescimento da planta. Com o uso do EM teremos novamente o equilíbrio da vida do solo.

Benefícios do uso:

- melhoram a capacidade fotossintética das plantas;- aumentam a eficácia das matérias orgânicas como fertilizantes;- melhoram os aspectos físico, químico e biológico do solo;- eliminam doenças e patógenos do solo;- fermentam matéria orgânica ao contrário de deteriorá-la. Assim, qualquer tipo de matéria orgânica pode ser usada para fazer composto com EM, já que não há produção de odores ofensivos;- decompõem matéria orgânica rapidamente, uma vez incorporada no solo;- facilitam a liberação de quantidades maiores de nutrientes para as plantas.
Alem disso, experiências no campo, têm demonstrado uma uniformidade na germinação de sementes em solos tratados com EM. Em áreas infestadas com plantas invasoras, após a capina e a pulverização com EM e a incorporação ao solo, as mesmas funcionam como fertilizante.Alguns usuários e pesquisadores atribuem efeito herbicida ao EM-4 e efeitos fungicida e inseticida ao EM-5.

Como produzir:

Para fazer o EM-4 basta cozinhar uns 3 a 4 copos americanos de arroz sem óleo ou temperos até que ele fique bem papa mesmo, tipo unidos venceremos. Coloque essa papa em uma mata sob as folhas caídas no chão (se quiser enterrar um pouco, melhor) e deixe lá por 1 semana +ou-. Colete o arroz e retire os bolores/fungos de coloração preta e cinza, deixando somente os coloridos e de cor clara. Agora basta misturar com uns 5 litros de água (sem cloro) + um pouco de farelo de arroz e 1 litro de caldo de cana e você já tem seu EM-4. Opcionalmente você pode misturar um potinho de Yakult para complementar os lactobacilus do EM-4. Guarde essa mistura à sombra em um local fresco e ventilado.

Onde e como usar:

- inoculação em sementes (use somente sementes que não foram tratadas com fungicidas): deixar de molho de 10 minutos em solução a 1ml de EM por litro de água (1:1000), deixar secar a sombra e plantar. Outra opção é peletizar as sementes banhando-as com uma solução de 1:100 de EM + biofertilizante e envolvendo-as em cinza ou em uma mistura de farelos (de arroz, soja, manona, osso, peixe, etc…)
- preparo de solo ou berço (cova é de defunto :D ): misture matéria orgânica vegetal (mato, adubação verde, etc…) com ½ de farinha de osso (200 g/m2) + ½ farelo de arroz (200 g/m2) a terra. Molhar BEM o terreno/leiras com uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 por m2 (em solos muito pobre pode-se usar até 1:1:300). Cobrir o solo com palha ou capim. Se você tiver pressa, após 10 dias pode-se fazer o plantio das sementes ou transplante das mudas. O ideal é aguardar 3 meses para usar o berço e, uma semana antes de plantar, regar com uma solução de EM a 1:1000.
- pulverizações foliares: fazer uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 e fazer pulverizações foliares semanalmente até observar uma melhora na estrutura do solo e na saúde das plantas, então pulverize quinzenalmente.
- preparos de compostos: fazer os montes de no máximo 1 metro de altura, regar com uma solução de EM a 1:100. Proceder os tratos para como em uma compostagem normal. Não deixar que a temperatura sua alem de 55ºC, caso isso venha a acontecer, revolver o monte. Ao revolver, caso o monte apresente mau cheiro, regar novamente com a solução de EM indicada acima. Dependendo das condições ambientes, do material usado para compostar e do local o composto poderá ficar pronto em 15 dias, no mínimo.

Dicas e cuidados:

- Não espere resultados imediatos. O EM é um organismo vivo e, para atuar sobre a matéria orgânica, tem que, primeiro, se adaptar ao solo para, aos poucos, ir recuperando-o;- Utilizar a solução (EM + caldo de cana + água) no mesmo dia de preparo;- Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações no final da tarde ou em dias nublados;- No caso de queimar as bordas das folhas, utilizar uma concentração menor, 1 ml para 2 litros de água;- Não utilizar água tratada com cloro. Nesse caso separar um recipiente com água e ou deixar - descansar por 24 horas ou use declorante comercial antes de misturar o EM;- A aplicação de EM só terá bom resultado se observada outras técnicas da Agricultura Orgânica, como: cobertura do solo com palha, adição de matéria orgânica (adubação verde, compostagem, biofertilizante), um bom manejo conservacionista do solo, rotação e consorciação de culturas, entre outras práticas.

Fontes:- Documento eletrônico: Bases para a produção de Café Orgânico, de Vanessa Cristina de Almeida Theodoro, Ivan Franco Caixeta e Sérgio Pedini;- CEPAGRI. Agricultura alternativa ecológica. Livro Verde. Caçador. Santa Catarina.- VALE, F.R. do; GUEDES, G.A. de A.; GUILHERME, L.R.G. Manejo da fertilidade do solo.. Lavras: UFLA/FAEPE, 1995.- Fundação Mokiti Okada. Introdução a Agricultura Natural. São Paulo, SP, 1982.
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Reprodução de artigo original, disponível em: [
Mungo-Verde ]