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terça-feira, 18 de agosto de 2009

A importância da minhoca na agricultura orgânica


A minhoca é um animal invertebrado, aeróbio, pertencente à classe dos anelídeos, visto possuir um corpo segmentado em partes iguais; tem respiração cutânea (respira pela pele) e, apesar de hermafrodita (possui os dois sexos), a minhoca não se auto-fecunda, necessitando de outra minhoca para se reproduzir.
As minhocas, após atingida a maturidade sexual, reproduzem-se durante grande parte do ano, acasalando-se normalmente à noite durante 2 a 3 horas, na superfície do solo. Os óvulos fecundados são libertados no solo no interior de um casulo, dando origem cada um deles a uma minhoca. Oito minhocas adultas podem originar 1500 minhocas em 6 meses desde que as condições de humidade, oxigénio, luminosidade e nutrientes sejam favoráveis.
A boca da minhoca está situada na extremidade que fica mais perto do clitelo (a parte mais espessa do corpo) e como não tem dentes (não morde), só se pode alimentar de material de pequeno tamanho, amolecido pela humidade e pelos microorganismos. As minhocas são capazes de regenerar a cauda mas não a cabeça, ou seja, se uma minhoca tiver sido dividida em duas partes, apenas a parte que contém a cabeça regenera uma nova cauda.
As minhocas são saprófagas, isto é, alimentam-se de matéria orgânica morta, especialmente vegetais, que normalmente transportam para dentro das suas galerias. As minhocas não possuem olhos, mas os seus fotoreceptores são sensíveis à luminosidade, particularmente à luz do sol. A epiderme que abriga as células fotoreceptoras possibilita à minhoca distinguir a luz diurna da nocturna, perceber pequenas vibrações, seleccionar alimentos e parceiros.Estes saprófagos podem viver 5 anos ou mais, em condições favoráveis, e quando adultos pesam 1 g, podendo chegar ao tamanho máximo (12 a 20 cm) aos 7 meses. Quando uma minhoca morre, o corpo é rapidamente degradado.
De entre os grandes decompositores estes são os organismos que fazem a maior parte do trabalho de decomposição. Escavam e alimentam-se constantemente dos seres microscópicos que degradam plantas mortas e insetos em decomposição. Os seus movimentos arejam o composto e permitem a passagem de água, nutrientes e oxigênio. À medida que a matéria orgânica atravessa o sistema digestivo das minhocas ela é partida e neutralizada por secreções de carbonato de cálcio de glândulas calcíferas, situadas perto do canal alimentar dos vermes. O material é pois finamente moído antes da digestão. Os sucos intestinais ricos em hormonas, enzimas e outras substâncias fermentativas continuam os processos de degradação.
A matéria deixa o corpo dos vermes na forma de excrementos. Estes constituem uma matéria húmica rica e de grande qualidade. Os excrementos frescos são marcadamente mais ricos em bactérias, material orgânico, azoto disponível, cálcio, magnésio, fósforo e potássio que o próprio solo.

Algumas das vantagens da utilização do húmus de minhoca como adubo natural incluem:

-Não agressivo para o ambiente e fonte de nutrientes para as plantas, especialmente de azoto, fósforo, potássio, cálcio e magnésio.
-Controle da toxicidade do solo, corrigindo excessos de alumínio, ferro e manganês.
-Contribuição para um pH mais favorável ao desenvolvimento das plantas.
-Redução da lixiviação e volatilização dos nutrientes das plantas.
-Entrada de água e ar facilitada.
-Drenagem controlada, evitando encharcamentos.
-Alteração da estrutura do solo, suavizando efeitos de erosão, compactação, impermeabilização e desertificação.
-Promoção da agregação de solos arenosos.
-População microbiana fixadora de azoto abundante.
-Aumento da resistência das plantas a pragas e doenças.
-Absorção favorecida dos nutrientes pelas raízes das plantas.
-Aplicação possível em contacto directo com raízes, não queimando plantas novas.

sábado, 27 de junho de 2009

A minhocultura e a produção de húmus no contexto da agricultura familiar


É consenso entre os agricultores familiares de que “a terra que tem minhoca é melhor para a produção de hortaliças e frutas”. Eles sabem dos benefícios das minhocas no solo, como a maior aeração, maior capacidade de retenção de água, além, é claro, da melhoria das qualidades químicas.
Muitos agricultores dão testemunho dos efeitos positivos do húmus de minhoca sobre os mais diversos cultivos. O húmus, quando produzido em condições minimamente controladas, aproveita os resíduos orgânicos existentes nas propriedades, como estercos e restos vegetais, para suprir em muitos casos a necessidade de adubo em uma horta de pequeno ou médio porte, especialmente nas condições de produção de base ecológica.
No entanto, os agricultores familiares têm aproveitado pouco este extraordinário recurso natural em suas propriedades devido principalmente ao desconhecimento da técnica da minhocultura e suas particularidades, a crença da necessidade da construção de estruturas caras e complexas para a criação, e, até mesmo, a decepção com experiências anteriores mal sucedidas. Outro aspecto capaz de inibir a decisão dos agricultores de montar um minhocário é a confusão feita entre os requerimentos legais para a produção comercial de húmus de minhoca, ou seja, para vender, e a produção para uso próprio. Para uso na propriedade não é necessário retirar 100% das minhocas e casulos, nem peneirar o húmus para obter uma granulometria padronizada, pois estas práticas são exigidas somente àqueles que desejam comercializar húmus. A economia de mão-de-obra realizada quando se queimam estas etapas é significativa e pode ser a diferença para viabilizar na prática a sua utilização.
A Embrapa Clima Temperado tem desenvolvido algumas técnicas de baixo custo e baixo requerimento de mão-de-obra para demonstrar a viabilidade da produção de húmus na pequena propriedade familiar. Entre essas técnicas estão o minhocário campeiro de bambu e o minhocário em túnel baixo.
No minhocário campeiro as paredes laterais são feitas de bambus, entrelaçados para dar sustentação à estrutura, sem a necessidade de pregos, arames ou cordas. Este minhocário pode ser montado ao ar livre, na sombra de uma árvore e em um terreno com uma leve declividade para drenar o excesso de água, sendo dispensável isolar o fundo com cimento ou tijolos, pois as minhocas permanecem no minhocário enquanto houver alimento. Para reduzir os efeitos da chuva, pode-se simplesmente colocar folhas de árvores sobre o minhocário ou ainda uma tampa feita de bambu. Por estar exposto ao clima a as plantas próximas, o húmus produzido não apresenta uma qualidade tão boa quanto o fosse produzido em um local mais protegido, porém o custo irrisório justifica sua implantação nos casos da falta de recursos ou para aqueles agricultores que, antes de investir, desejam conhecer melhor a minhocultura.
O minhocário sob túnel baixo é uma melhoria do minhocário campeiro, sendo facilmente apropriado por aqueles agricultores que hoje cultivam espécies como morango e alface em estufas de mesmo nome. A construção do túnel é feita da mesma forma que nos canteiros para hortaliças, com a colocação dos arcos, das estacas de sustentação e dos esteios nas cabeceiras para tencionar e amarrar o filme plástico. Sob essa estrutura é montada uma caixa de madeira, na largura do túnel, e revestido o seu fundo com sombrite ou filme plástico perfurado para facilitar o escoamento do excesso de água. O húmus produzido nesse tipo de minhocário é de uma qualidade muito boa, principalmente por não ser lavado pelas chuvas. Além disso, é móvel e pode ser montado próximo à horta, facilitando a utilização do húmus e o monitoramento do processo.
A grande vantagem dessas tecnologias está no fato de poderem ser desenvolvidas com materiais simples, com custo zero ou bastante reduzido e de serem adaptadas às necessidades dos agricultores que desejam aproveitar os resíduos orgânicos disponíveis na propriedade de uma forma mais racional. Reciclar resíduos, reduzir a dependência externa dos adubos minerais e, ao mesmo tempo, reduzir os custos da produção, são alicerces fundamentais para uma agricultura mais saudável e comprometida com o ambiente em que vivemos.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Minhocultura - Uma ferramenta para a reciclagem de resíduos orgânicos


A minhocultura ou vermicompostagem começou a se expandir pelo mundo na década de 70 e a partir dos anos 80 e 90 passou a ser alvo de estudos pela comunidade científica e pouco a pouco foi se estabelecendo como ferramenta para a reciclagem de resíduos orgânicos.
A Embrapa Agrobiologia, através de seu laboratório de fauna do solo, pesquisa o assunto desde noventa e oito com finalidade de utilização na agricultura. A minhocultura no entanto, tem várias aplicações e adapta-se muito facilmente tanto ao campo como ao meio urbano, já que a atividade não exige muito espaço. Serve tanto para a produção de húmus como para a criação das minhocas. A comercialização de ambos pode complementar a renda familiar e contribuir para a reciclagem de rejeitos que poluem o ambiente. A minhocultura tem se revelado uma atividade rentável na produção de insumos para a agricultura orgânica.
Também chamada de vermicompostagem, a tecnologia consiste na utilização de minhocas no processamento de restos orgânicos (lixo doméstico, estercos, restos vegetais, etc.), transformando-os em adubo a ser utilizado no solo. O produto resultante é chamado de vermicomposto ou húmus de minhoca. Por ser uma tecnologia de baixo custo, é adaptável à pequena produção. A produção de vermicomposto na propriedade pode significar a possibilidade de se produzir adubo orgânico de boa qualidade, sem gastar muito, utilizando diferentes resíduos orgânicos. Além disso, o uso desses resíduos para produção agrícola garante produtos mais saudáveis para o consumo, sem danos ao meio ambiente e ao homem.