quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Demanda por orgânicos na Europa pode abrir mercado para brasileiros


A demanda do mercado europeu por alimentos orgânicos segue em expansão, e os consumidores entendem que produto com valor agregado é aquele que une qualidade e fair trade (comércio justo). Essas foram algumas das observações feitas por técnicos do Sebrae durante a participação na maior feira de agricultura orgânica da Alemanha, a BioFach 2010. O evento aconteceu em Nuremberg, de 16 a 19 de fevereiro. O grupo permanece esta semana no país para visitar supermercados, distribuidoras, empresas e escolas técnicas. Sua missão é trazer informações que promovam a inovação no mercado de orgânicos no Brasil.
São 23 participantes, entre coordenadores de carteiras e gerentes das unidades de agronegócios do Sebrae de 13 Estados. Agricultores familiares apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que são clientes do Sebrae também participaram da feira. "A questão de embalagens para produtos orgânicos é um dos maiores desafios do setor, pois há uma grande demanda e pouca oferta”, afirma a coordenadora da carteira de agroecologia da instituição, Newman Costa. Segundo ela, os dados de crescimento de produtos orgânicos na Europa são surpreendentes.
“Existe um mercado enorme para nossos produtos na Europa, mas precisamos nos adequar ao padrão exigido pelo mercado internacional e melhorar o padrão de qualidade”, afirma. A carteira de orgânicos do Sebrae conta hoje com 54 projetos. Durante a BioFach, a equipe foi convidada pela organização da feira para uma palestra sobre o mercado brasileiro e suas estratégias de atuação nos eventos de reconhecimento internacional como Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada em 2016.
O grupo brasileiro também visitou mercados revendedores de orgânicos nas cidades de Frankfurt e Nuremberg, para verificar como os consumidores compram direto do produtor e, principalmente, a relação entre cliente e fornecedor, tendo como foco a comercialização e a logística de distribuição. A missão visitou ainda o Basic Frankfurt (com 6 mil produtos orgânicos e 24 lojas – segunda em faturamento na Alemanha) e a Al Nature (8.500 produtos orgânicos e 84 lojas na Alemanha – primeira em faturamento no país). Adriano Matos Rodrigues, técnico do Sebrae no Espírito Santo, identificou na empresa Hutzelhof um canal de comercialização para os produtores do seu Estado.
“A empresa comercializa cestas prontas, com frutas, legumes e verduras, para serem entregues nas residências. Outros produtores podem fornecer para ela complementando sua variedade de produtos”. Para Maria de Fátima dos Santos, técnica do Sebrae em Alagoas, um ponto que chamou atenção foi o estímulo feito para que as crianças da Europa consumam desde cedo frutas e legumes. Fátima conta que é grande a diversidade dos produtos orgânicos existentes no mercado, que vai desde alimentos para recém-nascidos até fabricação de absorventes, vestuário, material de limpeza.
“É uma grande oportunidade para pequenos empreendedores da agricultura familiar, artesanato e vários outros segmentos”, afirma. O tamanho das possibilidades do mercado de orgânicos também impressionou o gerente da área de desenvolvimento territorial do Sebrae/RJ, Antonio Batista. “Enquanto no Brasil há uma ênfase forte nos produtos “in natura”, a feira apresentou os mais diferentes tipos de processados: desidratados, embutidos, pré-cozidos, cristalizados, entre outros. Esta diversificação é importante em função da ampliação do ciclo de vida dos produtos, maximizando o prazo de validade e, por conseguinte, o atendimento a mercados em distâncias mais ampliadas”, disse.

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