domingo, 23 de agosto de 2009

População desconhece benefícios dos orgânicos

Os benefícios de uma alimentação saudável e equilibrada podem contribuir não apenas para melhorar a qualidade de vida da população, mas também ajudar a manter o equilíbrio entre o homem e a natureza.
No Brasil, boa parte da produção orgânica vão parar nas gôndolas dos supermercados internacionais, sobretudo os europeus. Além de maior poder de compra, esses consumidores são mais conscientes quanto à importância de levar para casa produtos ecologicamente corretos, analisa Hermínio Lima, coordenador do núcleo de Agricultura Orgânica da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagri), acrescentando que esse percentual de produção destinada ao mercado europeu pode ser estendido também ao Ceará, que produziu no ano de 2004 cerca de 500 toneladas, sendo a maior parte de hortaliças.
Para Hermínio Dias, um dos principais gargalos é explicar ao povo o que é um produto orgânico, que vai além do fato de não usar agrotóxicos, passando pela questão da responsabilidade social. Ele cita alguns requisitos que a agricultura orgânica deve preencher. O primeiro é ser economicamente viável, em outras palavras: dar lucro; usar manejo orgânico, ser ecologicamente correta ( usar adubos naturais, por exemplo); socialmente justa; e usar tecnologias culturalmente aceitas.

CONSUMO

Maria do Socorro Gonçalves, secretária executiva da Associação Alternativa Terra Azul, não esconde a sua preocupação: “Queremos estender os benefícios do consumo dos produtos orgânicos a toda a população e não deixar que fiquem restritos a um seleto grupo de melhor poder aquisitivo”. E para que isso se torne realidade, é preciso educar as pessoas a fim de que possam cobrar do Estado a responsabilidade de fiscalizar os alimentos.O primeiro passo pode ser a conscientização de gestores públicos, no caso, os prefeitos do Interior a incentivar o uso de produtos regionais na merenda escolar.
Com o propósito de tornar realidade essa idéia, a Terra Azul desenvolve desde dezembro do ano de 2004 oficinas sobre consumo consciente. O projeto conta com apoio do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa e Direitos Difusos do Ministério da Justiça, explica, considerando inquestionável o ganho que a alimentação equilibrada e saudável representa na vida das pessoas.
No entanto, lembra que nem sempre o que é orgânico é ecológico. Ou seja, para o produto estar ecologicamente correto deve seguir alguns passos como o respeito ao meio ambiente, uso de adubo orgânico, defensivo natural, além de levar em consideração as relações sociais do homem. Como por exemplo, um produto pode ser mais barato se for fruto do trabalho escravo ou de exploração da mão-de-obra infantil. “É preciso ver também a questão da responsabilidade social”, argumenta.
Os problemas que emperram uma maior abertura desses produtos no mercado incluem diversos fatores, apontando como principal o que diz respeito à produção, ainda em pequena escala, além de não contar com uma política pública voltada para o setor, ficando restrito ao campo dos incentivos voltados para a agricultura familiar. Socorro Gonçalves não esconde o temor de que haja uma abertura desse mercado e que as grandes indústrias comecem a produzir, podendo comprometer a qualidade do produto.

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