segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mercado de orgânicos garante renda para a família e a continuação do trabalho rural

Ter mercado certo significa renda garantida para a família e a continuação do trabalho rural. Pensando nisso, o segundo Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) contempla ações que fortalecem a comercialização dos produtos orgânicos, de base agroecológica e da sociobiodiversidade nos mercados locais, regionais, nacional, internacional e nas compras públicas.
Segundo o secretário substituto da Agricultura Familiar (SAF/Sead), Everton Ferreira, a produção sustentável e sem o uso de defensivos químicos, conhecidos como agrotóxicos, tem sido uma das demandas de consumo em todo mundo. “A agricultura familiar tem mostrado que é possível produzir alimentos orgânicos e de base agroecológica em condições de qualidade e de competitividade. À medida que o governo amplia as possibilidades de comercialização desses produtores, eles passam a vender melhor a sua produção e deixam de depender de atravessadores, por exemplo”, explicou.
Umas das ações do plano é garantir, até 2019, pelo menos 5% dos recursos aplicados anualmente no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para a compra desses alimentos. “Os programas de comercialização são canais de escoamento para que os agricultores familiares possam distribuir seus produtos e ter melhores rendas e condições de produção”, ressaltou o secretário.
Estudos de mercado
Foi por meio das iniciativas do primeiro Planapo, vigente entre 2013 e 2015, que a Rede Agroecológica Planalto Central conseguiu fazer um recorte mais acertado sobre os potenciais mercados para as organizações da agricultura familiar que representa. Beneficiada pelo edital de 2014 do Programa Ecoforte, da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), a rede chega ao final do projeto com inúmeras conquistas.
“Esse edital era tudo o que a gente sempre pensou. Ele foi um incentivo para que a gente conseguisse se aproximar mais das organizações ligadas à agroecologia. De 2015 para cá, foram feitas diversas ações, a partir dos nossos parceiros, entre elas cursos de capacitação, fortalecimento de unidades de referência e a aquisição de equipamentos para usos coletivos e estudos de mercado”, explicou a coordenadora do projeto da Rede Agroecológica do Planalto Central, Marta Corrêa.
Nesse período, a organização encomendou dois estudos para melhorar a comercialização dos produtos orgânicos e agroecológicos: o primeiro sobre a logística de comercialização coletiva e outro sobre a viabilidade de entrega em domicílio. “Chegamos a conclusão que a comercialização em pontos fixos de rua não seria a melhor opção e, sim, a comercialização para grupos específicos, fazendo com que o consumidor esteja mais próximo do produtor”, destacou Marta.
A rede foi formada, inicialmente, por 28 organizações produtivas dos estados de Minas Gerais e Goiás, além do Distrito Federal. Hoje, mais cinco empreendimentos fazem parte do projeto que beneficia cerca de 2 mil pessoas.
Ecoforte e Planapo
Desde 2014, foram publicados três editais do Ecoforte no âmbito do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). O primeiro, em 2014, contou com R$ 40 milhões para viabilizar projetos de 28 redes. O segundo, com recursos do Fundo Amazônia, no valor de R$ 4 milhões, beneficiou 10 empreendimentos extrativistas. O último edital, no valor de R$ 8 milhões, ainda em fase de seleção, também é voltado para organizações extrativistas.
Segundo a assessora sênior da Fundação Banco do Brasil (FBB), Mariana Oliveira, o objetivo do programa é fortalecer e disseminar a produção sustentável de alimentos. “O Ecoforte é um programa de fortalecimento de redes e um dos nossos vetores de atuação é a agroecologia. Foi por isso que a gente aderiu ao Planapo. Quando você atua em redes, você fica mais forte. Cada instituição vinculada à outra fortalece, ainda mais, a pauta da agroecologia e da produção orgânica”, destacou.
A expectativa é que até o fim deste ano seja publicado mais um edital do programa voltado para redes agroecológicas no valor de R$ 20 milhões (R$ 10 milhões do BNDES e R$ 10 milhões da FBB), além de recursos do Fundo Amazônia.

Fonte: Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário

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