domingo, 30 de outubro de 2011

Amazonas vai ganhar agência certificadora para orgânicos

Seminário revelou ações voltadas para o
fortalecimento do setor. (Foto: Divulgação)

A realização do seminário “Produção Orgânica: Organização Produtiva versus Perspectiva de Negócios na Amazônia”, nesta sexta-feira, 28, durante a FIAM 2011, trouxe dois novos elementos que visam fortalecer o setor na Região Norte: o lançamento do projeto da Amazon Cert, uma certificadora regional que vai agregar valor aos orgânicos e a divulgação do primeiro passo para criar o Centro de Atendimento de Produtos Orgânicos, para qualificar os agricultores.
Durante o seminário, o diretor de negócios florestais da Agência de Desenvolvimento Social (ADS) Fernando Guimarães, afirmou que o setor já avançou um bom caminho ao longo dos últimos cinco anos e principalmente agora, com o respaldo da nova legislação. Ele apontou alguns entraves como a falsa cultura que insiste na questão mais elevada dos preços dos orgânicos no mercado, mas enfatizou que esse não deve ser o foco da questão, porque quando se fala dos produtos o enfoque deve ser saúde e qualidade de vida.
“Se criou uma cultura que o orgânico é caro, mas temos que ver por outro lado e fortalecer essa produção, desburocratizando e produzindo mais para permitir que os produtos possam ter competitividade no mercado”, apontou, acrescentando que o grande segredo do Amazonas é que daqui a dois anos esse crescimento deverá estar em aproximadamente 200% em relação à produção atual.
Para o presidente da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) Petrúcio Magalhães Jr., a produção orgânica está vivendo o seu melhor momento na região e as cooperativas têm um valor determinante ao agregar valor aos orgânicos, alguns já certificados como é o caso do guaraná, juta, cacau e castanha-do Brasil.
“Orgânicos hoje são uma tendência mundial e o Brasil não pode ficar de fora, tem que se preparar para competir nesse mercado, e a coordenação dos setores envolvidos é fator decisivo para o sucesso”, afirmou Magalhães, lembrando que o aspecto da organização social é fundamental para facilitar a logística e o escoamento da produção, dois pontos que representaram graves entraves ao mercado de orgânicos.
Na avaliação da representante da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) Sônia Alfaia, o Amazonas é orgânico por natureza e tem que explorar esse potencial até mesmo utilizando a cultura histórica dos indígenas, que praticam a agricultura familiar, orgânica, que causa baixo impacto e é saudável, um hábito que começa a ganhar espaço no mercado urbano.
Segundo ela, em breve o manauense deverá ganhar uma feira de produtos orgânicos similar a que é realizada quinzenalmente nas dependências do Ministério da Agricultura (Mapa) na rua Maceió, em Adrianópolis. “Será uma feira ambulante e já estamos no processo licitatório para os equipamentos”, garantiu, completando que o interesse pelo agronegócio tem crescido nos últimos dois anos e hoje a secretária tem uma demanda para mais de 2 mil agricultores interessados.

Agregar valor à imagem

Ming Chao Liu, da Organics Brasil acredita que imagem é fundamental para vender o produto no exterior, e baseado nessa teoria ele tem investido em estratégias para agregar valor ao produto nacional para consolidar a produção no mercado internacional. “A nova legislação dos orgânicos vai permitir o crescimento do setor, mas as empresas têm que investir em capacitação para poder competir, porque a agricultura, por exemplo, já tem uma cadeia de capacitação muito forte”, explicou. Liu assegura que o grande desafio é definir estratégias para os produtos orgânicos a exemplo do que já ocorreu com grandes empresas como Coca-Cola, Pepsi e Nestlé, que investiram em marcas “verdes”, conquistando o consumidor com a onda ecológica, que continua em alta em todo o mundo.
Segundo ele, os supermercados representam uma possibilidade segura para a comercialização dos produtos orgânicos, inclusive, permitindo uma maior visibilidade ao consumidor e facilitando para que a população se familiarize com essa produção, que ainda é pequena se comparada aos alimentos convencionais e que acaba se deparando com outro tipo de dificuldade na comercialização, que é a diferença de preço, provocada especialmente em decorrência da defasagem entre a lei de oferta e procura.


Fonte: http://g1.globo.com

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