sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Produtos orgânicos são a principal fonte de renda de assentadas em Sergipe

Lutando contra preconceitos e dificuldades, agricultoras do assentamento Treze de Maio, no município de Japaratuba, em Sergipe, se organizaram para produzir verduras, legumes, ervas de forma orgânica. O coletivo de trabalhadoras rurais Grupo Lutar para Vencer obteve a certificação para comercializar produtos orgânicos e se prepara para colher os frutos de produzir alimentos livres de agrotóxicos e insumos químicos industrializados.A certificação é emitida pela Organização de Controle Social do Território Leste Sergipano (OCS).
Para alcançar a certificação social, há dois anos as produtoras recebem apoio técnico do Programa de Assistência Técnica do Incra e inspeção de produtores vinculados à OCS e fiscais da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural de Sergipe (Seagri). Durante este período o cultivo de todos os produtos se deu sem o uso de qualquer tipo de "veneno", como são chamados pelos produtores os pesticidas e herbicidas. O acompanhamento certifica a qualidade dos alimentos e transmite mais confiança aos consumidores. "Vendo o documento, as pessoas compram as verduras e legumes com mais tranquilidade. Elas têm mais certeza de que eles são feitos sem veneno", analisou a agricultora assentada Gisélia Brito Fortuna, que liderou a criação do grupo.
Com uma estratégia de venda, que alia a comercialização dos alimentos de porta em porta e a manutenção de espaços permanentes em duas feiras semanais realizadas em Japaratuba, o grupo foi, aos poucos, vencendo resistências e conquistando um número cada vez maior de consumidores. "No início, elas iam para a feira e sofriam, porque o povo, acostumado ao modelo mais comum de produção, optava sempre por legumes e frutos maiores. Hoje, com a consciência do sabor e da qualidade, as pessoas têm preferência pelos produtos delas, que são mais saudáveis. Antes do final da feira já compraram tudo e elas voltam sem ter mais nada para vender", explicou a técnica em agropecuária, Gláucia da Silva Santos, que auxilia no acompanhamento do grupo.

Impacto na renda

Inserida no assentamento como uma atividade destinada à complementação da renda, a horticultura, aos poucos, começa a ocupar o posto de carro-chefe na renda de algumas famílias. "A horta, hoje, para a gente, já dá mais do que a macaxeira. O que a gente vende toda semana na feira está garantindo um dinheirinho bom", afirmou o agricultor José Anízio de Oliveira, o Noé, casado com uma das integrantes do grupo.Segundo ele, que decidiu apoiar as atividades do grupo desde a sua fundação, os benefícios alcançados com o cultivo livre de agrotóxicos compensam o esforço extra no plantio e na manutenção da cultura. "É preciso ter mais paciência e mais cuidado, mas vale a pena pela renda e pela saúde.
Dá mais trabalho, mas é válido", analisou o agricultor.Uma aposta que, de acordo com a técnica em agropecuária, vem gerando bons frutos, graças ao perfil do grupo. "Eles são muito trabalhadores e participativos. Estão sempre abertos a novas experiências. Em pouco tempo, perceberam que era preciso ter paciência, porque o produto orgânico não se desenvolve tão rápido, mas que todo o esforço compensava", ressaltou.


Fonte: http://www.jb.com.br

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