sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Semana Verde em Berlim tenta fazer frente a escândalo da dioxina

Animais em exposição na semana verde, em Berlim

A maior feira dos setores agrícola e alimentício do mundo começou nesta sexta-feira (21/01) em Berlim. A Semana Verde reúne mais de 1600 expositores de 57 países que, ao longo de dez dias, mostram o melhor da produção de alimentos, delícias culinárias internacionais e novidades técnicas. O evento acontece enquanto a Alemanha tenta estancar o escândalo da dioxina que contaminou ovos, galinhas e porcos, sacrificados como medida preventiva. Mas o presidente da Federação Agrícola Alemã, Gerd Sonnleitner, afasta o risco: "Eu espero que você nem ninguém deixe algo estragar o prazer de experimentar e saborear comidas e bebidas."Jürgen Abraham, presidente da Confederação Alemã da Indústria de Alimentos, vai além. "Um dia desses, estava num mercado e ouvi um rapaz dizer que ele não compra mais ovos. Mas ele estava comprando um maço de cigarros. E, se comparamos essas duas coisas, é possível relativizar um pouco e não ver as coisas de forma tão dramática."

Mau começo

Para Sonnleitner e Abraham, o ano de 2011 não começou muito bem. O escândalo da dioxina tirou o apetite do consumidor e prejudicou a indústria agrícola e alimentícia alemãs. Países como China, Rússia e Coreia do Sul interromperam as importações da Alemanha. Segundo os cálculos de Sonnleitner, as perdas com o fechamento de estabelecimentos agrícolas e outras medidas que atingiram os agricultores chegaram a 100 milhões de euros – sem contar a queda dos preços do ovo e da carne de porco."Só porque algumas pessoas agiram de forma criminosa, toda a agricultura e indústria foi afetada, fomos coletivamente punidos, a confiança em nossos produtos, que foi construída com muito esforço, foi ameaçada. Nossa imagem foi abalada e os preços dos nossos produtos caíram como nunca antes", lamenta Sonnleitner.
Do lado orgânico
Ovos e carne de porco estão se acumulando nas prateleiras dos supermercados, enquanto os produtos orgânicos estão saindo com mais frequência. Mas os produtores orgânicos não são, necessariamente, os beneficiários do escândalo da dioxina.
"Por um lado, com esse escândalo, nós sentimos o aumento da demanda, mas não significa que é possível lidar com essa demanda toda. Uma galinha bota apenas um ovo por dia, e não se consegue multiplicar a quantidade de galinhas tão rapidamente, de forma que seja possível aumentar os ovos oferecidos nos mercados", comenta Thomas Dosch, presidente da maior associação de produtores de orgânicos, a Bioland.
A Alemanha tem o maior mercado de orgânicos na Europa e registra um aumento consistente das vendas. No entanto, os produtores alemães já não conseguem, há um bom tempo, suprir sozinhos a demanda interna – cada vez mais, alimentos orgânicos são importados. Apesar de os orgânicos estarem em evidência, os agricultores convencionais resistem à mudança e, desde 2005, houve queda de financiamento público para a produção orgânica. Por outro lado, ainda há muitos consumidores que preferem os alimentos produzidos da forma convencional – 51% dos alemães, o preço continua sendo o critério principal na hora da compra.
Preços devem disparar

O presidente da Confederação Alemã da Indústria de Alimentos conta com uma subida vertiginosa dos preços neste ano. "Achamos que os preços vão aumentar porque as matérias-primas subiram em média 40%. O trigo saltou de 130 euros a tonelada em 2010 para 250 euros, ou seja, 90% de reajuste. No caso do milho, o aumento de preço foi de 85%, o açúcar subiu 100%, o café 70% e o cacau 80%", ressalta Jürgen Abraham.Com essa elevação dos preços, o ganho das quase 6 mil indústrias de alimentos pode não ser mais compensador. Já atualmente, devido aos preços extremamente baixos oferecidos pelas redes de supermercados baratos, as empresas registram uma das menores margens de lucro da Europa. Abraham afasta a hipótese de que possa haver uma ligação entre a pressão dos preços e o escândalo atual, causado por ração contaminada com dioxina. Para ele, não se trata de uma falha no sistema, mas sim de um ato individual criminoso.




Fonte: http://www.dw-world.de
Autora: Sabine Kinkartz (np)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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