terça-feira, 12 de outubro de 2010

Produtores de orgânicos têm até dezembro para fazer cadastro junto ao Ministério da Agricultura

Produtores de orgânicos de todo o país têm até dezembro para fazer o cadastro junto ao Ministério da Agricultura (Mapa). Com a informação será possível conhecer a real situação do setor e estabelecer políticas de apoio aos agricultores ecológicos. Segundo os supermercadistas, o consumo de orgânicos tem muito espaço para crescer.
O consumo de produtos orgânicos responde, no caso dos hortifrutigranjeiros, por 10% do total consumido nos supermercados do Rio Grande do Sul. Conforme a associação do setor, entretanto, existe espaço para crescer até 30%. A demanda cresce mais do que a oferta, e existe ainda o consumo em feiras, direto do produtor.
O Rio Grande do Sul foi um dos Estados pioneiros na produção orgânica. A estimativa do Mapa é de que existam hoje mais de três mil produtores e pelo menos 150 feiras como esta espalhadas pelo Estado. Para muitos agricultores, essa é a única forma de comercialização.
É o caso do produtor Nei Dimer, de Três Cachoeiras (RS). Ele produz bananas há 10 anos e nunca usou agrotóxicos nos quatro hectares que cultiva. Toda a produção dele é vendida em uma feira, que acontece todas as quartas. Para atender a demanda, Dimer entrou para a Associação dos Colonos Ecologistas da região de Torres.Para conhecer o tamanho da produção orgânica no Brasil, o Mapa está realizando, até dezembro, o cadastramento dos produtores que atuam nesse segmento."A gente vai ter um diagnóstico de exatamente quantos produtores têm o Brasil, o que estão produzindo, em que condições, quais as regiões mais produtivas, quais os gargalos... a partir daí, a gente vai poder realmente tomar medidas políticas de auxiliar o fortalecimento desta rede"afirma Angela Escosteguy, coordenadora da Comissão Estadual de Produção Orgânica do RS.
No último censo do IBGE, 90 mil agricultores se declararam produtores de orgânicos. A partir de janeiro, eles terão de comprovar a atividade e o modo de produção."Não se pode usar nenhum produto químico sintético e nenhum transgênico em nenhuma fase do processo. Depois, também há exigências ambientais: produtos orgânicos têm de ter respeito com o meio ambiente, não se pode fazer queimadas, desmatamento, tem de proteger as águas. Além da questão social. Os trabalhadores têm de ter carteira assinada e as crianças têm de estar na escola"diz Angela.
Depois do cadastramento, os produtores poderão vender orgânicos nas feiras. Mas quando a venda não for direto ao consumidor, é preciso ter certificação."Quem quiser vender para um terceiro, seja loja, supermercado, o que for, vai precisar ter o selo. Aí, ele pode procurar uma certificadora oficial ou sistemas participativos em que os próprios produtores certificam seus produtos. Todos, evidentemente, credenciados ao Ministério da Agricultura"explica a coordenadora.
Apesar de produzir menos em relação ao cultivo convencional, e da dificuldade de combater as pragas, o agricultor Dimer não tem dúvidas sobre a opção que fez ao trabalhar sem agrotóxicos.
"Vale a pena. A gente tem saúde, força e bom humor para atender os clientes aqui.Eu tenho muito orgulho de fazer esse trabalho. Eu sinto que estou vendendo saúde para meus clientes".


Fonte:http://www.canalrural.com.br

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