segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Empresa paranaense quer exportar soja orgânica para os árabes


Presente no Brasil desde 2002, a empresa Gebana, originalmente suíça, exporta soja orgânica produzida por 350 pequenos produtores situados na cidade de Capanema, sudoeste do Paraná. Hoje, as exportações da empresa vão para França, Alemanha e Holanda, mas ela quer diversificar seus mercados e tem interesse no mundo árabe. A Gebana vende soja em grão e também derivados."A gente não sabe como é o mercado de orgânicos no mundo árabe. É um mercado interessante para ser estudado", diz Jonathas Baerle, gerente Comercial da Gebana. Um dos focos da empresa é aumentar as vendas de leticina de soja, um tipo de goma retirada do óleo do grão. Atualmente, a empresa exporta entre 12 e 15 toneladas do produto, mas quer chegar a 25 toneladas.
A leticina é utilizada principalmente em indústrias de chocolates e achocolatados."Procuramos um grande consumidor final, como uma fábrica de chocolates, ou um distribuidor na área de orgânicos", revela o executivo. Segundo ele, a empresa ainda não começou a prospectar o mercado árabe, mas possui um parceiro na Argentina que deve iniciar os contatos no Oriente Médio.Trabalhando por meio do sistema de Comércio Justo, no qual os produtores recebem um preço mínimo pela safra vendida e, em alguns casos, uma bonificação, a Gebana opera ainda com milho, trigo, feijão e banana.
Das oito mil toneladas produzidas anualmente, seis mil são de soja e o restante dos demais produtos. Deste total, 70% é exportação e 30% vai para o mercado interno. No Brasil, a Gebana vende para os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Goiás e Espírito Santo. "A gente está tentando ser mais agressivo no mercado interno, mas buscando novos clientes no mercado externo", relata Baerle.Entre os países que já importam os produtos brasileiros, a França é o maior comprador, importando, especialmente, produtos para consumo animal, enquanto a Alemanha compra, principalmente, soja para consumo humano.
A Gebana também possui filiais na Holanda, Burkina Faso e Tunísia. No país árabe, a empresa trabalha com a exportação de frutas secas para a Europa. No Brasil, sua filial conta com 35 funcionários e possui um faturamento anual de U$ 5 milhões, dos quais US$ 3,6 milhões provêm das exportações.A empresa chegou ao país atraída pela produção de orgânicos de Capanema, que já era expressiva mesmo sem qualquer tipo de incentivo aos agricultores. O fato de a região estar localizada ao lado do Parque Nacional do Iguaçu, onde é proibida a plantação de transgênicos, incentivou o desenvolvimento da agricultura orgânica. Além da produção de Capanema, a Gebana trabalha ainda com produtores de Londrina, também no Paraná; da região de Assis, em São Paulo; e de Andresito, na Argentina.
O Paraná possui o maior número de produtores de alimentos orgânicos certificados do Brasil. De acordo com o último senso agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2006, o estado tinha, na época, 7.527 produtores de orgânicos, dos quais 909 com certificação por entidade credenciada.



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