domingo, 6 de junho de 2010

Pesquisa de preços vale também para os produtos orgânicos

A tradição popular diz que o brasileiro é preguiçoso na hora de pesquisar preços,até mesmo os dos alimentos que consome todo santo dia, concorda? Você pode até discordar, mas parte da população (e aí subentenda-se quem tem maior renda) prefere a praticidade de encontrar tudo o que deseja ali, no supermercado do bairro. Quando o assunto é alimentos orgânicos, você esquece que na rua próxima da sua casa há uma feirinha dos produtos fresquinhos esperando pelos fregueses com preços mais em conta.
Quer dizer, nem sempre, pois o valor desses alimentos também vem sendo alvo de variações consideráveis. O Instituto de Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizou uma pesquisa que mostrou o outro lado da moeda desses alimentos, conhecidos por serem cultivados sem a utilização de agrotóxicos e cada vez mais requisitados nas mesas dos consumidores. O órgão constatou diferenças de valores de até cinco vezes mais em três situações: nos supermercados, na entrega em domicílio e nas próprias feiras. Para se ter noção dos números, o consumidor recifense pagou entre R$ 3 e R$ 10,78 pelo quilo do tomate orgânico, uma variação de 259,33%. A mesma quantidade do produto em São Paulo variou 115,29%, sendo encontrada por R$ 5,95 (menor) e R$ 12,81 (maior).
O produto campeão foi a alface americana, que em Curitiba mostrou diferença de 462,85%, com valores para o pé encontrados entre R$ 0,70 e R$ 3,49. A assistente social Rakuel Costa, 28, mudou o hábito de comprar produtos orgânicos. Há três anos, ela acorda às 7h todos os sábados para escolher alimentos recém-chegados das hortas na feirinha que acontece por trás do Colégio São Luís, na Graças, uma das 32 do tipo na Região Metropolitana do Recife (RMR) e interior do estado. Gasta, em média, de R$ 30 a R$ 35 para comprar frutas e legumes suficientes para, no máximo, 15 dias. "Acredito que a diferença nos preços, apesar de justos, é pouca. Se comprar os mesmos produtos no supermercado, devo gastar 5% a mais. Mas na feira dá para reservar", revela. O detalhe, segundo ela, é que raramente encontra o tomate.
"Além de mais caro, acaba logo", completa. No geral, de acordo com o levantamento do Idec, os preços mais baixos são praticados pelos feirantes, que na maior parte dos casos são os próprios produtores. Traduzindo, sem intermediários teoricamente praticam valores reduzidos. Já as grandes redes de supermercados, ainda segundo o estudo, inflacionam os valores em virtude da logística envolvida, além de gastar com as embalagens. Sem contar que (ponto importantíssimo) os estabelecimentos entendem que a procura por orgânicos se concentra no público que ganha mais.
Nesse caso, você é quem paga a conta. De acordo com Adriana Charoux, pesquisadora do Idec e coordenadora da pesquisa, que ocorreu entre os meses de janeiro e março, 95% dos alimentos investigados têm preço mais barato nas feiras, embora a cultura ainda seja a de buscar (e gastar) mais nos supermercados. "Seria interessante se as pessoas passassem a adquirir mais os produtos orgânicos diretamente dos produtores nas feiras, estreitando as relações e observando a procedência dos alimentos", avalia. No Brasil, o relatório do órgão apontou um crescimento médio anual de 30% no setor de orgânicos na última década.


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