terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Aposta na agricultura familiar e orgânica

Orlando Pessuti

Na abertura da Feira Sabores do Paraná, dia 7, em Guaratuba, o vice-governador Orlando Pessuti lembrou que em 2003 os produtores rurais só tinham um espaço, em Curitiba, para venda direta de seus produtos “Além do empório, as únicas oportunidades para comercializar seus produtos eram as feiras municipais e barraquinhas à beira das estradas”, lembrou.
Em Guaratuba aproximadamente 130 agricultores de várias regiões do Paraná expõem mais de 15 mil itens até o dia 17, no ginásio de esportes do Colégio Estadual 29 de Abril. De 21 a 31 de janeiro, a feira se instala em Matinhos. Requião destacou que pequenos produtores não pagam ICMS no Paraná. “A isenção fiscal beneficia nossos microempresários. O nosso pequeno agricultor tem um espaço reservado sem tributação em supermercados. Eles não pagam nem luz, nem aluguel, graças a um convênio que fizemos”, disse.
Em 2010, a feira estará em 20 cidades e deve movimentar cerca de R$ 5 milhões em vendas diretas. Além disto, estes produtos são levados em feiras nacionais nas quais o governo participa. O maior volume de vendas acontece em centenas de pontos de vendas do programa, incluindo grandes redes de supermercados. Assim como as feiras e as gôndolas funcionam como vitrine para os produtos da agroindústria familiar e da agricultura orgânica no Paraná, seus produtos são a vitrine da aposta do governo para superar o perfil meramente exportador da agricultura paranaense.
Maior variedade de produtos, mais pessoas ganhando melhor com o campo, maior variedade na mesa e maior proteção do solo e do ecossistema.A aposta rendeu alguns conflitos do governo com o agronegócio, que acabaram sendo minimizados pelos resultados da política de investimento no campo. Mas o foco principal dos investimentos sempre foi o pequeno produtor.

R$ 1,5 bilhão

Nossa reportagem conversou com Pessuti sobre esta aposta. Nos primeiros quatro anos do governo Requião, ele comandou pessoalmente a Secretaria de Agricultura, que hoje tem o petista Walter Bianchini à frente. Mas Pessuti continua acompanhando de perto a continuação dos programas que implementou.De 2003 para cá, foram investidos R$ 1,5 bilhão na agricultura familiar no Paraná, boa parte em parceria com Ministério do Desenvolvimento Agrário e também com recursos do Banco do Brasil e da Agência de Fomento.
Outra iniciativa importante na gestão de Pessuti na Agricultura, foi a criação do Fundo de Aval, programa único no país. Em todo Brasil, os pequenos produtores têm acesso ao crédito mais barato, via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Mas existem aqueles agricultores bem pequenos, que por falta de patrimônio, não tem acesso nem ao crédito bancário. No Paraná, eles conseguem financiamento com o aval do governo. Desde 2004, o programa atendeu a 12.794 agricultores familiares. O valor total das operações atingiu a R$ 86 milhões, em 360 municípios.

Agroecologia

Em 2010, o Governo do Paraná promete consolidar suas diversas iniciativas de apoio à agroecologia. O Estado conta com 5.300 produtores orgânicos, responsáveis por uma produção anual de 108 mil toneladas, cultivados numa área de 3,8 mil hectares.O setor cresce cerca de 20% ao ano no Brasil e os produtos agroecológicos alcançam preços médios 30% maiores que os da agricultura tradicional.
Com o aumento da produção e da utilização das melhores tecnologias, os preços devem cair para o consumidor final, mas os ganhos para o agricultor tendem a aumentar.Além de adotar novos conhecimentos, o governo pretende resgatar práticas tradicionais sustentáveis.
Do ponto de vista da comercialização, será apoiada a criação e consolidação de mercados locais e outros circuitos de comercialização, a ampliação dos produtos agroecológicos no mercado institucional como merenda das escolas, hospitais, creches, entre outros.O governo vai apoiar capacitação de técnicos e agricultores familiares para facilitar a transição da agricultura convencional. Também vai incentivar a troca de experiências entre os agricultores e suas associações, organizações governamentais e não-governamentais, escolas técnicas, universidades e entidades da iniciativa privada.


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