segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Certificação Orgânica deveria ser um elo de comunicação entre a cidade e o campo


“A certificação mais bonita que existe é a do olho do agricultor. A gente vai à feira, olha no olho do agricultor e tem certeza que aquele produto é orgânico”. Essas palavras, pronunciadas pelo produtor de arroz biodinâmico no município gaúcho de Sentinela do Sul, João Volkmann, refletem bem a relação do novo consumidor brasileiro: aquele que consome produtos orgânicos.Volkmann foi um dos palestrantes do painel “A Situação da Produção de Orgânicos no RS”, promovido pela equipe do Programa de televisão da Rede Record, Vida Orgânica, na quinta-feira (3), durante a abertura da Bionat Expo - Feira de Produtos Orgânicos, Fitoterápicos e Plantas Bioativas, Mostra de Ecoturismo e Turismo Rural e o Espaço Vida Sustentável, no Armazém B do Cais do Porto, centro de Porto Alegre.
O debate, com mediação da jornalista e apresentadora do Vida Orgânica, Lara Ely, trouxe ainda a participação da fundadora e diretora da Escola Amigos do Verde de Porto Alegre, Sílvia Lignon Carneiro e da coordenadora da Cooperativa de fibra ecológica Univens, Nelsa Inês Fabian Nespolo.João Volkmann entende que a certificação “deveria ser um elo de comunicação entre a cidade e o campo”. O consumidor, no seu entender, tem o direito de descobrir, através da internet, em que lugar foi produzido determinado alimento que está chegando à sua mesa. Produtor de arroz há mais de 20 anos, ele acrescentou: - Nosso arroz é bem conhecido aqui em Porto Alegre.
As pessoas sabem que usamos a agricultura biodinâmica, sem nenhum veneno. Mas se eu for vender meu arroz em Salvador (BA), o consumidor terá que se apoiar em algum tipo de garantia para que o produto possa ser consumido com segurança.Ele lembrou, também, que em sua região, Serra do Sudeste gaúcho, um dos graves problemas ambientais é o cultivo de fumo. “Os produtores que plantam fumo com agrotóxico, são considerados como se fossem bandidos. Mas eu tenho uma sugestão melhor. Entendo que o é papel do consumidor mudar isso. Imagina se um fumante, ao invés de usar a carteira de cigarro no bolso, usasse um buquê de flores. E a cada 20 minutos ele pegasse uma flor daquelas e ficasse olhando pelo mesmo tempo em que estaria absorvendo o cigarro. Então, o que teríamos plantado lá no interior? Nós teríamos flores, não fumo”, afirmou. Volkmann acredita que existe uma grande responsabilidade por parte do consumidor. Ele tem essa força de poder mudar os hábitos de cultivo.

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