sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Planta capaz de viver em locais contaminados mostra caminho para recuperar solos


A concentração excessiva de metais no solo representa riscos para a saúde humana, animal e vegetal, e também para o ambiente em geral. A contaminação do solo com metais tóxicos geralmente é resultado de atividades humanas, especialmente aquelas relacionadas à mineração, emissões industriais, descarte ou vazamento de resíduos industriais, uso de adubos, fertilizantes e pesticidas, etc. Em razão do potencial tóxico e alta persistência dos metais, solos poluídos com estes elementos são um problema ambiental que requer uma solução efetiva.
Uma das tecnologias que estão sendo aplicadas para buscar a solução deste problema é a fitoextração. A fitoextração é uma tecnologia emergente para despoluição de solos contaminados por metais pesados que usa plantas para transferir metais do solo para a parte aérea, a qual pode ser removida da área poluída. O principal objetivo da fitoextração é reduzir a concentração de metais em solos contaminados dentro de um período de tempo razoável. O processo de extração depende da capacidade que as plantas selecionadas têm de crescer e acumular metais sob condições específicas de clima e solo do local que está sendo tratado.
Duas técnicas têm sido normalmente usadas: o uso de plantas com natural e excepcional capacidade de acumular metais (chamadas "hyperaccumulators" ou hiperacumuladoras) e a utilização de plantas que produzem grande volume de biomassa tais como milho, arroz, cevada e aveia, por exemplo. Uma espécie de planta indiana apresenta uma capacidade quimicamente elevada de fitoextração. Trata-se da Arabidopsis halleri, uma planta herbácea capaz de crescer em terrenos contaminados com metais pesados e que está ajudando cientistas a entenderem como recuperar este tipo de solo, segundo estudo publicado em abril de 2008 pela revista britânica "Nature".
As pesquisas genéticas realizadas pela Universidade alemã de Heidelberg têm como finalidade destrinchar os mistérios da Arabidopsis halleri, uma das poucas plantas adaptadas a terrenos contaminados. A Arabidopsis halleri é uma herbácea pouco comum da família Brassicacea que extrai do solo as substâncias tóxicas e, por meio de um sistema de bombeamento, as envia das raízes para as folhas, onde se concentram para defender a planta de insetos e de agentes patogênicos.
Os cientistas alemães descobriram que esta planta tem três cópias do gene HMA4, quando a compararam com outra espécie do gênero, a Arabidopsis thaliana, que só tem uma cópia e que não consegue sobreviver em locais contaminados com metais pesados, diz o estudo.
Quando este gene foi transplantado para a Arabidopsis thaliana, ela se tornou mais resistente aos metais pesados, mas não o suficiente. A autora principal do estudo, Ute Kraemer, explicou que há outros genes envolvidos no processo que ainda não foram totalmente identificados. No entanto, o efeito de acumulação e tolerância aos metais é muito amplo no HMA4, o que é animador, pois o número de genes adicionais necessários para ter uma planta destas características é baixo (entre um e dez), acrescentou.
A pesquisadora alemã disse, que, por causa da pouca biomassa da Arabidopsis halleri, seria inviável economicamente para limpar os terrenos contaminados com esta planta, já que em teoria seriam necessários aproximadamente cem anos para regenerar um solo moderadamente contaminado. A solução é aumentar a produção de biomassa nesta variedade ou potencializar geneticamente outras plantas mais frondosas da mesma família da Brassica juncea (planta da mostarda) para que sobrevivam nestes terrenos inóspitos e se comportem como a Arabidopsis halleri. Os terrenos contaminados com metais pesados existem em grande quantidade no mundo e estão se transformando em um grave problema na Europa, sobretudo na Europa Oriental, na China e na Índia.

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